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Economia

Desenrola terá app para negociar dívidas de 36 milhões de pessoas

Na última sexta-feira (5) o governo anunciou que o novo programa de renegociação de dívidas do governo federal, o Desenrola, deve ter um aplicativo exclusivo para a modalidade, com objetivo de facilitar o contato entre os bancos e os endividados e  agilizar as negociações das novas condições de pagamentos das dívidas atrasadas.

O Desenrola, que deve ser anunciado oficialmente nesta semana, quer atingir cerca de 36 milhões de brasileiros inadimplentes, e o aplicativo é uma das apostas para alcançar de forma mais efetiva seu público-alvo.

Tanto os detalhes do novo programa quanto do aplicativo devem ser discutidos ainda nesta segunda-feira (6) no Palácio do Planalto, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Um novo programa de refinanciamento das dívidas de pessoas físicas foi uma das promessas de campanhas do presidente eleito, que reafirmou seu compromisso com o cenário da população brasileira na semana passada, quando reiterou que pretende “encontrar uma saída para libertar os brasileiros do arrocho do crédito”.

Atualmente, segundo dados da Serasa, cerca de 70,1 milhões de brasileiros estão inadimplentes, com maior concentração das dívidas em bancos e cartões de crédito.

Quem poderá aderir ao Desenrola

O Desenrola terá foco em pessoas físicas e famílias brasileiras que ganham até dois salários mínimos (atualmente até R$ 2.604) e que estão negativadas, ou seja, já estão com nome sujo.

O governo espera impactar entre 35 milhões a 40 milhões de pessoas nesse cenário.

Quem estiver nessa faixa e fizer adesão ao programa terá respaldo do Tesouro para cobrir inadimplências que venham a ocorrer.

O Desenrola ainda deve abrir espaço para uma segunda faixa de renda em condições diferenciadas, contemplando quem ganha mais de três salários mínimos (R$ 3.906). Nesse caso não haverá ajuda do Tesouro e os bancos assumiriam o risco sozinhos.

As instituições financeiras que quiserem participar do programa deverão oferecer um pouco de crédito para esta faixa, como requisito para entrar na faixa de dois salários mínimos, que não possui praticamente nenhum risco para o banco.

Como deve funcionar o novo programa de renegociação de dívidas

Deve ser lançado até mês que vem uma nova plataforma voltada para o Desenrola, que permitirá a consulta gratuita do CPF do cidadão, constando as dívidas em aberto. As empresas envolvidas serão contatadas e terão que conceder um desconto para quitar aquele débito.

É nesse momento que os bancos passam a participar, fazendo ofertas para assumir aquele débito. Quem oferecer a melhor condição, será selecionado.

De acordo com técnicos do projeto Desenrola, a ideia é que integrantes da faixa de renda de até dois salários mínimos possam renegociar dívidas de até R$ 5 mil por pessoa.

Para evitar se tornar um estímulo à inadimplência e piorar o cenário, o programa pretende aceitar apenas dívidas contraídas até dezembro do ano passado.

Fonte: Portal Contábeis