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Contábil

Robôs recuperam R$1 bi em tributos pagos a mais

De acordo com dados recentes, robôs estão ajudando as empresas a recuperarem uma quantia impressionante em tributos que foram pagos a mais para o fisco brasileiro. Uma empresa específica conseguiu recuperar de R$1 bilhão com a ajuda do robô, em fevereiro deste ano. 

Essa é uma boa notícia para empresas que tiveram problemas com a Receita Federal, mas também para o país como um todo, já que a recuperação de tributos pode ajudar a impulsionar a economia.Os robôs que estão ajudando nesse processo são conhecidos como “robôs fiscais”. Eles são programas de computador que utilizam inteligência artificial para analisar grandes quantidades de dados e identificar inconsistências nos pagamentos de tributos. Quando uma empresa paga tributos a mais do que deveria, os robôs fiscais podem identificar essa diferença e apontar para a Receita Federal a necessidade de correção.

As vantagens da inteligência artificial na contabilidade

Essa tecnologia tem sido cada vez mais utilizada por empresas que buscam evitar problemas com o fisco, já que a legislação tributária brasileira é bastante complexa e muitas vezes confusa. Além disso, o processo manual de verificação de dados pode levar muito tempo e ser propenso a erros, o que pode resultar em pagamentos indevidos de tributos.

De acordo com o especialista em Direito Tributário, Victor Gadelha, essa é apenas uma das muitas formas como a automação de processos fiscais pode ajudar as empresas. 

“Por mais que as empresas adotem grandes sistemas, ainda são inúmeras as tarefas repetitivas e burocráticas que são realizadas todos os dias por seus analistas. O Robotic Process Automation (RPA) e a Inteligência Artificial (IA) vêm preencher as inúmeras lacunas que a mera automação de um software não é capaz de resolver”, explica.

O impacto da automação nos escritórios de contabilidade

A automação, embora ainda um pouco controversa, de fato tem um impacto significativo nos escritórios de contabilidade, pois pode automatizar muitos processos e reduzir a necessidade de trabalho manual e repetitivo. Isso pode levar a uma maior eficiência e produtividade no trabalho, bem como a uma redução de erros. 

Este recurso pode permitir que os contadores se concentrem em tarefas de maior valor, como análise de dados e consultoria, em vez de se preocupar com tarefas rotineiras. No entanto, a automação também pode resultar na redução do número de funcionários necessários em um escritório de contabilidade, o que pode levar a preocupações como o desemprego, podendo prejudicar o atendimento feito ao cliente final.

Gadelha acredita que os profissionais da área tributária precisam se preparar para lidar com a tecnologia. “Será fundamental que profissionais da área saibam lidar bem com tecnologia, que adotem uma visão complementar ao de times de engenharia de software e que se tornem ágeis em descobrir oportunidades de automação de tarefas”, afirma.

Com os robôs fiscais, as empresas podem identificar rapidamente as inconsistências nos pagamentos de tributos e corrigi-las, o que pode resultar em uma economia significativa de recursos. No caso da recuperação de R$1 bilhão em tributos, esse dinheiro pode ser usado pelas empresas para investimentos, criação de empregos e outras iniciativas que podem impulsionar a economia.

Além disso, a utilização de robôs fiscais também pode ajudar a Receita Federal a identificar mais facilmente as empresas que estão sonegando impostos, o que pode resultar em uma arrecadação maior para o governo. Isso pode ser benéfico para o país como um todo, já que o dinheiro arrecadado pode ser utilizado em projetos sociais, saúde, educação e outras áreas importantes.

O futuro da contabilidade: como a tecnologia está moldando a profissão

Segundo o especialista, os robôs e sistemas de inteligência artificial tornarão os procedimentos contábeis e jurídicos muito mais precisos, rápidos, seguros e livres de falhas. No entanto, ele alerta que haverá desafios a serem enfrentados, principalmente em suas fases iniciais. “Como qualquer avanço tecnológico, o RPA e a IA terão seus desafios exigindo muita responsabilidade dos agentes que estão liderando a sua expansão”, destaca.

Para Gadelha, os profissionais da área tributária terão que se tornar cada vez mais competentes para se manterem relevantes em um cenário em que a tecnologia assume tarefas que exigem menos conhecimento. “Os profissionais terão que se tornar cada vez mais competentes, uma vez que as tarefas que exigirem menos conhecimento serão as primeiras a serem ‘tomadas’ pelo RPA e pela IA. Por outro lado, eles contarão com ferramentas muito mais poderosas para adquirir esse conhecimento adicional”, ressalta.

O especialista ainda destaca que toda a liderança do processo de inovação na área tributária vem primordialmente dos profissionais especializados. “Somente eles terão capacidade de orientar programadores a criar soluções que sejam realmente pertinentes para a área”, afirma. 

Ele ainda alerta que é importante que esses profissionais adotem as tecnologias, deixando de lado a tendência natural do governo à inércia. “Caso contrário, serão cada vez mais impotentes diante do poder tecnológico da iniciativa privada e tendentes a adotar posturas reativas que só atrasarão a inovação”, conclui.

Regulamentação em debate

Gadelha ainda prevê que haverá um embate regulatório no futuro. Órgãos de classe, como Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tendem a resistir a essas mudanças, mas, segundo ele, é preciso que haja uma atualização na regulamentação para que a tecnologia possa ser utilizada da melhor forma possível. 

“A tendência natural é que a regulamentação acompanhe as mudanças tecnológicas, mas nem sempre é assim. No caso da inteligência artificial, por exemplo, ainda há muitas incertezas e desafios a serem superados, tanto no aspecto ético quanto legal. Por isso, é importante que haja uma discussão ampla e participativa envolvendo especialistas, empresas, organizações da sociedade civil e governos, de forma a estabelecer um marco regulatório que proteja os direitos dos usuários e ao mesmo tempo estimule a inovação e o desenvolvimento econômico”, finaliza o especialista.

Fonte: Portal Contábeis